quinta-feira, 2 de abril de 2009

Hip-Hop Paranaense

Criado no ano de 2002 o grupo Ultra Face vem do norte do Paraná, mais precisamente da cidade de Rolândia. Lançou seu primeiro álbum no ano de 2004 intitulado Ensinamento de Vida. O 2° Cd Entre o Crime e a necessidade foi lançado em 2007 e o grupo prepara álbum novo para 2009. No myspace do grupo podemos ouvir 04 canções. A música “Te Amo Tanto Assim” narra um filho pedindo perdão para a mãe, traz uma ótima letra e instrumental e um refrão melódico. Outra boa canção traz o título “Tenho que acreditar”. As duas outras músicas traz participação de nomes de peso no cenário nacional. A música “Mundo dos Mortos” tem participação do grupo Hórus e a canção “Campo de Batalha” tem participação do grupo Total Drama.

Acessem: www.myspace.com/mundodosmortos

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O grupo JAC (Júri de Atitude Consciente) é da cidade de Curitiba. Faz parte da Família Kontratak em parceria com diversos grupos de CTBA. O álbum “O preço da Vitória é a Eterna Tentativa” traz a identidade do grupo. A música CIC (Cidade Industrial, A Cidade do Medo e do Mal) já é hit pelas quebradas curitibanas. Suas músicas narra as mazelas de Curitiba, as favelas, o crime, a falta de paz e a desigualdade social. As letras abordam ainda as drogas, a violência policial, o movimento Hip-Hop. A música destaque do álbum traz o título: “Nada do que foi será” a letra é muito bem escrita e o refrão faz uma alusão à música do Tim Maia.

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O rapper curitibano Ricardo “Cabes” Pires começou sua correria pelo rap no final da década de 90. Mc e produtor musical lançou no começo de 2009 o álbum: Todo dia é assim. Com boa musicalidade, boas letras e bons refrões, seu estilo underground tem uma leve semelhança com o som do Paulo Napoli. Traz a positividade na sua música, com poesia de auto-estima, e ótima produção. Na música “Hora do Rolê” os scratches e colagens são muito profissionais. Ou como diriam os doidos do 5° Andar: “muita falta de antiprofissionalismo”. No myspace do mano você pode ouvir ainda os sons: “Diga sim”, “Essa é a Jornada” part. Cris Mora, “Naturalmente” part. Ant, “Risco na Galáxia” part. Dj Sonik, “Rua deserta” part. Cilho.

ale a pena conferir: www.myspace.com/cabesmc.

Em Foz adquira o álbum na loja Vertical Hip-Hop.

Hip-Hop Paranaense

O grupo de Paysandu, Pr, anuncia o fim dos dias. Pra quem já é fã das músicas do Thiagão ele acertou a fórmula novamente e lança esse álbum, um dos melhores do cenário paranaense. Algumas músicas já estavam sendo cantadas em seus shows antes do lançamento como Tático assassino parte III e Todo finado tem mãe. Esse álbum vem para emplacar o grupo no cenário do Rap Naional. Uma das faixas conta com a participação do rapper paulista Douglas do grupo Realidade Cruel.

Faz seu corre e garanta o seu.

Contato: (44) 9908-7689 / (43) 9974-8147.

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Luto Decretado dá o seu depoimento nesse single que vem com 5 faixas. Pra quem gosta do estilo gangsta dos mais pesados esse cd é um prato cheio. A começar pelo título das letras: Ladrão é ladrão PM é PM, A vida bandida, Registrando o pesadelo. O grupo é formado por Mano Elias, Mano Xanddy e Dj Caverinha e faz parte do Cartel do Rap de Foz do Iguaçu. O cd foi gravado em Foz do Iguaçu, mas atualmente eles estão morando em Cascavel. Eles já haviam gravado um single antes, quando outros manos faziam parte do grupo.
Contato: (45) 9954-3375.
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RDR – Retrato das RuasCom esse álbum “Qual Lei Você Segue?” o grupo retrata o que acontece nas ruas. Os sons passeiam entre o Gangsta e o Gospel deixando mensagens positivas contra o consumismo, a criminalidade, a politicagem, a patifaria e a trairagem. O grupo que é nativo da cidade de Cambé, Pr, já está há 9 anos na correria. Mas precisamente da Zona Leste de Cambé os Manos Max, Márcio e Rick lançam esse ótimo álbum com várias participações: Pesadelo Atual, Gueto Gospel e IML.
(043) 3523-5487 / (043) 8421-8912 /

óIA sÓ (Por: Lizal)

Os paraguaios querem remexer no passado, rever e renegociar o tratado de Itaipu. O tratado foi negociado quando os dois países passavam por uma ditadura e já ta mais do que na hora do Brasil abandonar a postura Imperialista que vem exercendo sobre a América Latina. “Cometemos a ousadia de conquistar o governo da República do Paraguai”, disse o presidente-eleito Fernando Lugo após tomar posse. O Partido Colorado do Paraguai – derrotado na última eleição – já estava há 61 anos no poder. Agora com o Lugo “Uh barato fica Lôgo”.


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1° de Maio Internacionalista, Anti-capitalista e revolucionário!!!
Aconteceu em Maio de 2008 na Argentina.
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Hannah Arendt:

[Vários] acreditam que livros possam funcionar como armas e que se pode lutar com palavras. As armas e a luta, entretanto, pertencem à atividade da violência, e a violência, distinguindo-se do poder, é muda; a violência tem início onde termina a fala. Quando usadas com o propósito de lutar, as palavras perdem sua qualidade de fala; transformam-se em clichês. O modo como os clichês instalaram-se em nossa linguagem cotidiana e em nossas discussões pode ser um bom indicador não só do ponto a que chegamos ao nos privarmos de nossa faculdade da fala, mas também de nossa presteza para usar meios de violência mais eficazes do que livros ruins (e somente livros ruins podem ser boas armas) para impor nossos argumentos.


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Carlos Drummond de Andrade:

“Lutar com palavras é a luta mais vã”.

(O truta Anderson, rapper na cidade de Cascavel me disse: “Eu só acredito na revolução armada. Os playboy não vão assistir passivamente, vão revidar, não vão deixar a gente confiscar os bens deles”).

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Ferrez:

“O ser humano não sabe conviver, remodela o mundo como bem entende, escava, constrói, altera o planeta, não é imagem e semelhança de Deus, mas se fosse de alguém, seria mais próximo do Capeta”.

(E o cartão VISA é o número da besta).

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Celso Amorim:
“Nosso programa nuclear é de finalidade pacífica”.

(Será?)

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A Malandragem:

Recentemente foi aprovado um projeto de lei para que a taxa de coleta de lixo seja cobrada na conta de água. O deputado Chico Noroeste rebateu com a criação de um projeto que proíbe a Sanepar de cobrar qualquer outra taxa que não seja água e esgoto. O deputado discursou no plenário do legislativo dizendo que a água é um bem público e a atitude de incluir na tarifa outros débitos torna a Sanepar um mero instrumento comercial. “A água no Paraná é considerada um bem público inalienável e que não pode ser explorada comercialmente, não pode ser objeto de lucro...”. Discursou com eloqüência contra essa atitude capitalista: “Municípios então querem cobrar a coleta de lixo, que é, na maioria das vezes, realizado por empresas terceirizadas, através da cobrança da água. Instituições filantrópicas querem suas doações, aproveitando-se da água, e logo adiante os “Disk Pizza” também poderão cobrar suas contas através da cobrança da água, com a segurança de que todos devem pagar a conta, pois caso deixem de pagar, morrem de sede”.

“O projeto ainda não foi aprovado, mas Foz já está cheia de outdoors com a foto do deputado se vangloriando”.

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Música da Banda Socialmente Incorreto:

“Preciso de dinheiro para comprar uma máscara de gás e um guarda-chuva-ácida”.


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Poeta Manoel de Barros:

“O cu de uma formiga
é mais importante
do que uma Usina Nuclear”.


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O VELÓRIO DO HUMMER
(É o capitalismo com o pé na cova).

O Jipe Militar da GM Hummer se transformou em símbolo de ascensão social nos EUA. Para os ambientalistas o Hummer é o inimigo número 1 do planeta, ele tem o peso de quase 300 bicicletas. Seu primeiro comprador civil foi Arnold Schwarzenegger seguido por: Paris Hilton, Shaquile O'Neal, Hugh Hefner, David Beckmam, Mike Tyson e os rappers 50 Cent, Wiclef Jean e Xzibit. A primeira versão civil do jipão foi o H1 com rendimento médio de 5 quilômetros por litro de gasolina e preço a partir de 40 mil dólares. A versão H2 chegou às concessionárias em 2002. Esse jipe consome mais energia na fabricação, e mais combustível nos primeiros 40 mil quilômetros do que o Toyota Prius Híbrido ao longo de toda a sua vida útil. Uma organização norte-americana de defesa do meio ambiente chamada Sierra Club criou o site FUH2.com (fuck you and your H2), para combater o jipão via internet. Convocou os internautas a levantar o dedo do meio para os motoristas que estivessem pilotando um Hummer. A galera abraçou a idéia e enviaram milhares de fotos onde estavam mostrando o dedo médio aos motoristas. Outros mais radicais começaram a atacar e incendiar concessionárias que vendiam o jipe. Deixavam pixações nas paredes com os dizeres: “Americanos Gordos e Preguiçosos”. O governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger (o que condenou à morte o último dos panteras negras Múmia Abu Jamal), “preocupado” com o aquecimento global diminuiu a sua frota de 7 Hummers para 3. Com a quebradeira do Capitalismo, e a crise mundial soprando forte, a GM aposentou a marca alegrando a galera ambientalista. O rapper 2 Pac – ícone do hip-hop mundial – também caiu na tentação e dirigiu um Hummer. Ele até dedicou umas rimas para o Jipão: “Meu Hummer entra em cena / evacuando soldados presos / estratégia interna / expressão do estilo militar...”.

(Até tu Brutus?!).

DE ONDE VEM? (Por: Pedro Almeida).

Dentro do atual Mundo do Street Dance é muito comum ouvir as expressões Feeling e Soul, aliás, tem sido por esta linha que a tendência da dança vem procedendo, deixando como regra ser mais importante o sentimento mostrado na sua dança, do que a beleza ou destreza de cada passo.

Mas de onde vem toda essa pegada de sentimento e comunicação corporal?

Retrocedendo ao início, temos o ambiente africano, onde tudo se baseava nas suas crenças, mitologias e simbolismos religiosos. Antigas sociedades como os povos Yorubanos, tinham um dialeto tonal soando musical e ritimadamente, sua comunicação, dessa forma, dava assim uma importância distinta à música, nestas situações onde mais do que em qualquer outro lugar era esta tida como meio de comunicação. Se as conversas eram cantaroladas, as orações, as suas divindades, eram sem dúvidas composições musicais e a ênfase a estas súplicas religiosas eram feitas com movimentos corporais, totalmente sem nenhum nexo, técnica ou sentido, apenas êxtase. Era como começar a se mexer não imitando nada, nem ninguém, simplesmente se mover.

Aparentemente foi essa uma das heranças mais importantes que nossos ancestrais nos deixaram e que contribuem até hoje para o discernimento do que é o Street Dance, nos fazendo lembrar que a dança é maior que eu e maior que você, que ela não é a minha certeza ou a sua dúvida, é um legado que todos temos e que ninguém é total detentor de sua grandiosidade.

Axé.

(Pedro Almeida, estudante de danças urbanas em Foz)



(Danças Africanas) só feelling



Novissssssssssima escola Krump dance ... vejam as semelhanças

Todo dia é dia de luta (Por: Carol).

Homens, mulheres e crianças se aproximavam da Ponte da Amizade enquanto eu ouvia de longe o brado do povo: “Cansados? Não! Com a luta do povo ninguém se importa!”.


Dia 26 de março, numa quinta-feira ensolarada e quente, aconteceu na Ponte Internacional da Amizade um ato simbólico que demonstrou a capacidade de organização das classes oprimidas de um pedacinho da América Latina. Dois povos, duas culturas diferentes, mas os mesmos objetivos. Cada um com sua bandeira, mas todos lutando contra a terrível desigualdade que conduz o mundo a destruição.

No ato estava presente o MST, a Via Campesina e o Movimento do Pequeno Agricultor. Sob o sol escaldante os camaradas discursaram sobre a necessidade da integração do povo latino; na importância da luta por terra, trabalho e justiça para todos; sobre a questão da comercialização do meio ambiente, entendendo que ele deve estar a serviço da vida e não do mercado; clamaram também por uma solução justa para o Tratado de Itaipu e a construção de uma integração latino-americana na qual os interesses dos povos devem estar acima dos interesses do capital e do lucro.
Depois de encerrado o ato, os manifestantes brasileiros se organizaram em duas filas e saíram em marcha para a lida do campo. No caminho pessoas criticavam, riam, e era aí que eles gritavam mais forte “Se o homem não vai ao campo, o homem não come...”. Na situação atual é necessário repensar algumas críticas, é preciso refletir sobre o que o sistema capitalista nos tem oferecido, sobre a destruição e substituição do homem pela máquina, é necessário se humanizar para humanizar o mundo.

E termino este texto com mais um grito: “Todos juntos venceremos!”.

Pense, manifeste-se e proteste agora mesmo!





Pense, manifeste-se e proteste agora mesmo!
















A MOÇA NA ESCADA (Por: Luiz Henrique Dias da Silva)

Na porta do meu prédio mora uma moça. Os vizinhos aparentemente não gostam muito da presença dela. Esta moça costuma sair para caminhar durante o dia, mas sempre aparece no final da tarde para descansar na escada. Durante o dia, eu sempre a vejo caminhar pela cidade, em lugares distantes de sua casa (a escadaria do meu prédio). No domingo eu a vejo na feira livre da terceira pista da JK. Sempre com um brinquedo na mão, ou com um celular de mentira, que ela usa para conversar com seus amigos secretos. Mas o que mais me chama atenção nesta triste personagem urbana é a maneira como ela vê a vida. Está sempre sorrindo, cantando, falando, dançando. Nunca vi fazer mal para ninguém. Nunca vi falar com alguém.

Eu costumo passar perto de onde ela dorme, mas ela nunca se dirigiu a mim, a não ser para olhar quem estava passando. Só uma vez, ano passado quando eu ainda não era nem morador do prédio, eu resolvi dar bom dia para ela. Durante uns dois segundos ela só me olhou, depois abaixou a cabeça. Mas não respondeu. Não sei se me reconhece como vizinho. Não imagino se sou do mesmo mundo que ela. Dizem que ela é esquizofrênica. Dizem que ela não é mais humana. Dizem que é apenas uma mendiga.

O fato é que ela não tem casa. Não tem emprego. Não tem amigos (exceto um ursinho de pelúcia). Não tem família. Não tem nada a não ser aquela escada que ela dorme e aquela sacola a tira colo a semana toda. E lá fora de sua retina a vida passa, as pessoas apressadas passam e a vida vai indo. Enquanto isso, ela dança a música que só ela ouve.

(Luiz Henrique Dias da Silva é poeta e escritor em Foz do Iguaçu).

Fonte: www.acasadohomem.blogspot.com

MULHERES

(Homenagem do Mano Adão ao Dia Internacional das Mulheres).

Hoje tenho um tema novo pra falar. Falarei daquelas que nos colocaram no mundo. Daquelas que sofreram durante 9 meses, com nós em seu ventre até o momento do parto, e que até hoje atura nossas trapalhadas da vida. Aquelas que nos defende com unhas e dentes, seja ele bom ou ruim. Que estão preparadas para nos proteger, essa guerreira do lar que levanta de madrugada para trocar nossa frauda, faz nossa mamadeira, que trabalha dia e noite e nesse mesmo tempo é mãe e pai também. É aquela que nos prepara pra vida, nos arruma pra ir pra escola, é aquela que nos coloca de castigo quando precisa. E que foi tirada de uma costela de um homem, mas não importa, seja ela advogada, juíza, policial, do lar, cobradeira de ônibus, faxineira ou prefeita.

Ela está sempre em nossas vidas e sem elas não vivemos e elas estão sempre por perto para aturar as nossas reclamações e a choradeira do homem. Hoje elas estão conquistando seus direitos de igual pra igual, mas ainda elas não sabem o poder que tem sobre o homem. “Ela é para cem filhos, mas cem filhos não são para ela”, como dizia a minha vó que é uma grande guerreira e que viveu o final da escravidão no Brasil. Viveu as duas guerras mundiais, uma pessoa que viu o Brasil crescer e que teve muitas histórias para contar para seus filhos e netos, bisnetos e tataranetos. Que viveu 100 anos de vida. Seu nome era Maria Pimenta de Oliveira e eu tenho orgulho de ser neto e de ter o mesmo sangue dessa centenária.

Elas merecem um grande respeito por todos nós, devemos agradecê-las por estarmos no mundo. Quando perde um filho é a única que chora com amor. Por isso que elas merecem toda atenção do mundo. Algumas delas são como “Farewell my Summer Love”, “amor de verão”, vai mais volta. Temos que tirar o chapéu para essas guerreiras.

(Adão é B.boy e arte-educador em Foz, integrante da crew Cartel do Break).

BRASIL 1964

Em 1964 morreu Ary Barroso, Nelson Nobre, Cole Porter e Antônio Maria. Morreu também a democracia. Um golpe na noite de 31 de março, arquitetado pelos militares e financiado pelos Estados Unidos transformou os próximos 21 anos num dos capítulos mais tristes da história brasileira.



Noite de 31 de Março

* reproduzido do fascículo 01 da revista Caros Amigos sobre a ditadura militar.

A terça-feira transcorreu sem novidades para a imensa maioria do povo. Nem comunistas nem esquerdistas em geral acreditavam em golpe – eles, os “inimigos internos”, principais alvos dos golpistas. Tão despreocupados estavam que, no fim daquele dia e madrugada afora do 1° de abril, seriam surpreendidos em seus lares por policiais civis e militares e cairiam presos sem resistência alguma.

Até nas redações, aonde já chegavam notícias de um general rebelado em Minas Gerais, o grosso dos jornalistas considerava aquilo “uma quartelada” que o “esquema militar de Jango” sufocaria. Assim, no 31 de março de 1964, a quase totalidade dos 80 milhões de brasileiros recolheu-se sem sobressalto. Mas as 24 horas seguintes marcariam suas vidas para sempre.

“OS LIVROS, UM MONTE JOGADO NA RUA, AÍ TOCARAM FOGO”.

Max Moura, que se tornaria artista plástico, tinha 14 anos e fazia parte do grêmio, no Instituto de Educação de Florianópolis. Foi para a cama cedo, estudava de manhã. Assistiria a cenas medievais no dia seguinte.

[Eu morava no morro do Tico-Tico, atrás da praça XV, e à tarde ouvi que estava havendo um rolo, falavam: “É a revolução!” Desci e vi aqueles cavalos descendo pelas ruas de paralelepípedos. Só fui entender depois por que tanta rolha espalhada pelo chão: era para os cavalos escorregar. Ao lado da padaria Brasília, havia a casinha onde ficava a livraria do Salim Miguel. Invadiram! Porque tinha livros da Editora Vitória, filosofia, política, sociologia, marxismo. Era só livro voando! Juntou gente, uns ajudando a jogar os livros, outros catando. Fui feliz, peguei dois: Os Doze Trabalhos de Hércules e A Chave do Tamanho, do Monteiro Lobato. E os livros, um monte jogado na rua, aí tocaram fogo. Foi o que me marcou na “revolução”].

“Onde se queimam livros, cedo ou tarde homens serão queimados”
(Heinrich Heine (1797-1856) poeta alemão).


(Passeata dos Cem Mil. O povo na Rua. "Abaixo a Ditadura").


NOVELA DA VIDA REAL (Por: Lizal)

Mais um Cidadão José Cap. 37

Aquele começo de tarde estava bonito. O sol inundava a casa. José e Mano Branco estavam sentados num banco de madeira, trocando altas idéias.

- Tá curtindo o barato, hein Zé.

- Só pra desestressar. Ontem foi mil grau, né não?

- É verdade, a gente bebeu até uma zora.

- Esse baseado é madeira, hein tio.

- É verdade. Direto da fábrica. Ehehehehhe.

Eles foram tomar um café. Os outros malucos já estavam na mesa, um cortando o pão, o outro colocando a mão num pote cheio de bolacha caseira.

- Macaco véio não coloca a mão em cumbuca. Ehehehehhe... Cês tão de Lara memo, hein. – brincou o Mano Branco.

- É verdade tio, depois de ontem. Chapamo o grobo!!!

- Então, qual vai ser o rolê de hoje? Perguntou José.

Os manos deram risada. José sempre é muito calado, na dele. Nesse pouco tempo que está com os malucos já foi na zona e fumou maconha.

- Eu proponho que a gente vá no Molle, lá no Porto Franco. – disse um paraguaio, conhecedor dos pico de curtição.

- O que tem lá pra se fazer? - Perguntou o Pio.

- Prepara o material de pesca e vamos comprar umas bebidas. E vamo levar um sabão pra lavar esse carro, óia só a cor da caranga.

O mano Pio chamou o José e foram arrancar minhoca perto de umas
bananeiras. Encheram uma lata. O Mano Branco trouxe os molinetes. Duas horas da tarde pegaram a estrada. O Porto Franco fica bem afastado do lugar onde eles estavam. O carro passou por diversos bairros. As vilas paraguaias são de precária estrutura, casas de madeira, água do poço, muitas sem energia elétrica. Por todo canto, vê-se campinhos de terra, crianças e jovens jogando futebol e vôlei. Eles organizam campeonatos valendo refrigerante, cerveja, dinheiro. São dos campinhos de terra que saem os futuros profissionais que jogarão nos times principais e na seleção paraguaia de futebol.

- Esse carro ta um cemitério. Liga o som aí maluco. – Disse o Mano Branco para um paraguaio que tava no banco da frente.

Ele pegou o porta-cd para escolher um som. Estava cheio de CDs de Rap. Uma grande parte da galera que começa a escutar rap fica radical e só quer escutar esse estilo musical. O Mano Gê é uma dessas pessoas. No seu porta CD tem todos os álbuns do Racionais Mc's e Facção Central – os seus sons prediletos – além de GOG, Visão de Rua, Consciência Humana, Trilha Sonora do Gueto, Pensamento Racional, Rajada Mc's, Thiagão e os Kamikazes do Gueto e todos os Cds dos grupos de Foz do Iguaçu. Tem também muito Rap internacional, espanhol, norte-americano, francês, mexicano. O paraguaio olhou os CDs com calma e perguntou que som era aquele que estava escrito “Valete”. Ele que é viciado em jogar baralho, antes de o mano responder, já estava colocando o som.

- Esse é um rap de Portugal. Ganhei o cd de um DJ de Foz que foi morar em Curitiba. Nem escutei o som ainda.

O álbum se chama Serviço público e foi gravado em 2006. Valete é português, anticapitalista e antiimperialista, mas – talvez como uma sátira – usa diversos termos norte-americanos em suas letras. Ele é marxista e usa suas músicas como uma ferramenta de luta, bate na tecla do socialismo em todo o álbum, que traz discursos do Che Guevara, Fidel Castro e Hugo Chávez (na voz dos próprios). Bate de frente com a indústria fonográfica e a música comercial, vazia e banal, que ele chama de “diarréia musical”. Puxa a orelha da galera que compra os CDs de artistas comerciais e diz que esses são os responsáveis pela destruição da música, que a música sem qualidade é feita bem à medida da estupidez de quem as consome.

- Olha lá tio, ali é o Remancito. – Disse um paraguaio.

- Onde? – Perguntou José.

- Ali embaixo meu bom, não dá pra ver daqui.

- Para o carro aí tio, já ouvi falar altos dessa quebrada.

O Remancito é uma favela no subsolo, ao contrário dos morros do Rio de Janeiro. Quem passa no asfalto, lá em cima, não sabe que ali em baixo tem uma comunidade. Eles estacionaram o carro e ficaram olhando a favela lá embaixo. Crianças correndo descalço, homens jogando baralho no quintal, mulheres conversando no portão, jovens reunidos ouvindo músicas, tudo muito parecido com as favelas de Foz do Iguaçu. O Mano Gê conhece a favela e tem acordos comerciais ali. Vários doidos do Remancito trabalham com ele no tráfico internacional, abastecendo o brasilsão. Acordo que funciona melhor do que qualquer MERCOSUL, ali a integração latino-americana funciona e os contratos são verbais. Voltaram pro carro e pegaram a estrada.

O som do Valete batia forte no alto-falante, falando de coisas um pouco estranhas praqueles malucos: Neoliberalismo, Capitalismo, Marx, Lênin, Trotski, Foices e Martelos, destruição da Amazônia. Na música chamada Monogamia ele canta:

“Ela é bem diferente por isso guardo no meu peito
E pinta em todo sentimento que eu liberto
É bela, é justa, só tem uma cara
Aqueles que governam sempre querem ofuscá-la
Ela traz as palavras das aflições que ninguém ouve
É que é o grito da raiva nas manifestações do povo
É o único discurso que os manos abraçam
É a imagem do subúrbio que as câmeras não captam
É o produto oculto que as elites não relatam (...)
Ela vem iluminada nos poemas que eu propago
Vem metaforizada nos livros do Saramago
Os filhos do diabo, ativos do outro lado
Já tentaram destruí-la ridicularizando Castro
Tentaram desumanizá-la censurando meu Rap
Tentaram silenciá-la assassinando Malcolm X
Tentaram intimidá-la torturando Marighela
Tentaram encarcerá-la com Nelson Mandela
Também tentaram trocá-la por futebol e novela (...)”.

Os manos estavam distraídos, ganhando as ruas à caminho do Porto. Dezenas de carros seguiam pro mesmo lugar, algumas pessoas de bicicleta e a pé.

- Um calor desses e a galera com o vidro do carro fechado. Falou José.

- Vich!!! Fecha o vidro aí rapaziada. – disse o paraguaio.


(Na próxima edição mais um capítulo)



sexta-feira, 6 de março de 2009

PROS MANOS UM SALVE / PRAS MINAS UM BEIJO (Luo).

No estilo Pregador Luo, o Zine do Cartel manda um salve pros manos e um beijo pras minas. Nessa edição de março algumas das matérias estão focadas na questão do gênero. A pesquisadora paulista Eva Blay mostra a confusão histórica e traz uma nova versão sobre o porque do 08 de março ser escolhido para o Dia Internacional da Mulher. Na coluna “Uma Música” trazemos a letra da canção “Rosas” do grupo de Rap feminino de Brasília: Atitude Feminina. O grupo já faturou o premio Hutus e já teve um vídeo clipe premiado. No blog do Cartel você pode assistir ao vídeo clipe da música “Rosas”. No quadro Poesias e Pensamentos temos poesias da Mysk, Carol, Gilka Machado e Ana Peluso. A arte do mês é de uma mina: Jaqueline Miskalo. A Carol traz um texto ácido, mostrando a desumanidade do ser humano. Temos ainda informações sobre a Corrida do Dia Internacional da Mulher, organizada pela ACORREFOZ. Do blog Colecionador de Pedras do poeta Sérgio Vaz traficamos o poema Deusas do Cotidiano, que versa sobre as guerreiras do dia a dia. O Mano Lizal traz um texto mostrando como as letras de Rap do Brasil retratam as mulheres.

Nessa edição estreamos mais um colunista da nossa terrinha. O Mano Danilo George Ribeiro cria a coluna “Contos, Contas, Cantos e Crônicas”, onde narra algumas histórias que são 99% verídicas – como ele mesmo afirma. O Cartel do Rap está feliz pelo reconhecimento. Saiu uma matéria no Site da Guatá e do Megafone sobre o aniversário de 04 anos do Fanzine.

A favela agradece.

Vida longa ao tráfico de informação.

APOIARAM ESSA EDIÇÃO DO FANZINE:


SÓ NO BLOG:

O Blog do Fanzine foi criado para postar somente as matérias que saem no zine impresso. Estamos estudando a possibilidade de criar novos blogs. Enquanto não sai, nós vamos postar uma matéria por mês que sairá só no blog do Cartel. O artigo desse mês de março foi reproduzido da Revista Caros Amigos e é sobre o Carnaval.


BAILE DE CARNAVAL (Por: Frei Betto).

Neste carnaval, despirei a fantasia da vaidade e entrarei no corso dos que buscam os bailes do espírito. Desfilarei na via Láctea cavalgando um asteróide e aplaudirei o rodopio de Gaia, a porta-bandeira, sob os olhos dourados do mestre-sala, o Sol. Espalharei pelo teto do céu confetes de estrelas e atirarei brilhantes serpentinas de cometas. Nada de me encharcar de cerveja; me embriagarei com a euforia dos que descem dos morros para exibir com pompas suas escolas de ilusões.
Contemplarei a alucinada ginga dos passistas que, no resto do ano, driblam as agruras da vida sem que ninguém bata palmas à sua teimosia.

Neste carnaval, arrancarei as máscaras dos bem-pensantes que integram o bloco ácido dos arautos da verdade. Pintarei em seus rostos amargurados as curvas ascendente de um sorriso para livrar-me de tão conservadoras tristezas. Gravarei corações enamorados nos muros e farei florir, na copa das árvores, botões de insensatez. Engrossarei uma batucada tão vibrante a ponto de proteger-me dos ruídos insidiosos e dos discursos forjados na retórica das gralhas. Tomarei em mãos a cuíca e, de seu soluço agônico, arrancarei a cadência capaz de impelir meus passos rumo ao futuro. Não irei aos bailes da cegueira, onde os olhos se recusam a espelhar a felicidade alheia, nem aos desfiles de fantasias que desplumam soberbas. Entrarei na roda de sorrisos ingênuos e darei as mãos aos corações trepidantes daqueles que jamais encerram o carnaval dentro de si. Dançarei o frevo altissonante dos ébrios de utopias e seguirei o trio elétrico que semeia êxtases nas veredas do deserto.

Neste carnaval, meu samba não será de uma nota só; tanto riso e tanta alegria haverão de despertar, no mais íntimo de cada um de nós, o pierrô e a colombina apaixonados. Aspergirei perfume para espantar em volta todos os odores que fazem minguar as flores. E me somarei ao cordão dos que ardilosamente entoam cantos de esperança. Não darei ouvidos ao reco-reco dos que insistem em ensurdecer com seus lamentos o grito de carnaval. Nem abrirei alas a quem impede a passagem do porvir. Ostentarei na passarela a alegoria de promissoras conquistas e preencherei todos os quesitos de um amor inefável. Desfantasiado de esbelto, exibirei contente pelas ruas o balanço de minhas gorduras, o brilho prateado de meus cabelos, a minha doce feiúra. Entre tanta beleza virtual, esculpida à ponta de bisturi, concorrerei ao prêmio de originalidade. Deixarei dançar a flacidez de minhas carnes e, após passar a suntuosa escola de divas alouradas e apolos musculosos, catarei num saco de lixo a vergonha de não suportarem a esplêndida maquiagem que o tempo delicadamente imprime a quem conhece a arte de envelhecer.

Na manhã de Quarta-Feira de Cinzas, arrancarei minha fantasia de arlequim e carregarei solitário meu pandeiro. Com as pernas mergulhadas no lago da praça, lançarei na água uma a uma as argolas, para vê-las flutuar como estrelas de prata. Em seguida, deixarei o pandeiro boiar como o barquinho da criança que me povoa.

Então, revestido de infância, embarcarei no disco de madeira e couro, seguro de que as cinzas da morte são apenas confetes que Deus espargue em seu baile infindável. Não olvidarei que a vida nos conduz ao carnaval no qual só entra quem rasga a fantasia.

(Frei Betto é escritor, autor de a Arte de Semear Estrelas (Rocco), entre outros livros).

Fonte: Revista Caros Amigos n° 143, fevereiro de 2009

UMA MÚSICA

Rosas (Atitude Feminina)

“A cada quinze segundos uma mulher é agredida no Brasil. E a realidade não é nem um pouco cor-de-rosa. A cada ano dois milhões de mulheres são espancadas por maridos ou namorados”.

Refrão:

Hoje meu amor veio me visitar
E trouxe rosas para me alegrar
E com lágrimas pede pra eu voltar
Hoje o perfume eu não sinto mais
Meu amor já não me bate mais
Infelizmente eu descanso em paz!

Tudo era lindo no começo, lembra?
Das coisas que me falou que era bom, sedução
Uma história de amor
Vários planos, desejo, ilusão

E daí?
Não tinha nada a perder
Queria sair dali

No lugar onde eu morava
Me sentia tão só
Aquele cheiro de maconha
E o barulho de dominó

A molecada brincava na rua
E eu cheia de esperança
De encontrar no futuro a paz
Sem tiroteio, vingança

E ele veio como quem não quisesse nada
Me deu um beijo
E me deixou na porta de casa
Os meus olhos brilhavam
Estava apaixonada!

Deixa de ser criança! –
A minha mãe falava
Que no começo tudo é festa
E eu ignorava

Deixa eu viver meu futuro se pá,
Não da nada
Menina boba iludida
Sabe de nada da vida
Uma proposta, ambição
De ter uma família

Me entreguei até a alma
E ele não merecia
O meu pai embriagado
Nem lembrava da filha

Meu príncipe encantado
Meu ator principal
Me chamava de filé e eu achava legal
No começo tudo é festa
Sempre é bom lembrar!
Hoje estou feliz
O meu amor veio me visitar

Refrão

Numa atitude pensada sai de casa
Pra ser feliz
Não dever satisfação
Ser dona do meu nariz

Não agüentava mais ver
A minha mãe sofredora
Levar porrada do meu pai
Embriagado e a toa

Meu irmão se envolvendo
Com as paradas erradas:
Cocaína, maconha, 157

Ah, mas eu estava feliz
No meu lar doce-lar
Sua roupa, olha só!
Tinha prazer de lavar

Mas alegria de pobre dura pouco, diz o ditado
Ele ficou diferente agressivo, irritado
Chegava tarde da rua
Aquele bafo de pinga
Batom na camisa
E cheiro de rapariga

Nem um ano de casado,
Ajuntado sei lá
Não sei pra que cerimônia
O importante é amar

Amor de tolo amor de louco,
Que foi que aconteceu?
Me mandou calar a boca
E não me respondeu

Insistir foi mal, ele me bateu
No outro dia me falou
Que se arrependeu
Quem era eu pra julgar?
Queria perdoar
Hoje estou feliz
O meu amor veio me visitar

“Eu tava a 4 meses grávida, ele me deu uma surra tão violenta que eu caí, desmaiei, aí quando eu acordei eu tava numa poça de sangue assim, que tinha saído da minha boca e do meu rosto. Ele me catou assim pelos meus cabelos, me puxou e falou: Você vai morrer!”.

Quase 2 anos e a rotina parecia um inferno
Que saudade da minha mãe, desisti do colégio
A noite chega, madrugada,
E meu amor não vinha
Quanto mais demorava, preocupada,
Mais eu temia

Não estava agüentando aquela situação
Mas hoje tudo vai mudar ele querendo ou não
Deus havia me escutado
Há uns dois meses atrás
Aquele filho na barriga era esperança de paz

Tantos conselhos me deram de nada adiantou
Era a mulher mais feliz, o meu amor chegou,
Que pena! Novamente embriagado
Aquele cheiro de maconha Inconfundível, é claro.

Tentei acalmá-lo ele ficou irritado
Começou a quebrar tudo loucamente lombrado
Eu falei que estava grávida ele não me escutou
Me bateu novamente mas dessa vez não parou

Vários socos na barriga, lá se vai a esperança
O sangue escorre no chão,
Perdi a minha criança

Aquele monstro que um dia prometeu me amar
Parecia incontrolável eu não pude evitar
Talvez se eu tivesse o denunciado
Talvez se eu tivesse o deixado de lado

Agora é tarde, na cama do hospital
Hemorragia interna o meu estado era mal
O sonho havia acabado e os batimentos também
A esperança se foi pra todo sempre, amém!

Hoje meu amor implora pra eu voltar
Ajoelhado, chorando, infelizmente não da
Agora estou feliz ele veio me visitar
É dia de finados, muito tarde pra chorar.

“É muito importante que o limite seja posto pela mulher: Não vou aceitar uma situação de violência dentro da minha casa!”.

UMA ARTE: Jaqueline Miskalo


Deusas do Cotidiano (Por: Sérgio Vaz)

O nome dessas mulheres eu não sei,
Não lembro e nem preciso saber.

São nomes comuns em meio a tantos outros
Espalhados por esse chão duro chamado Brasil.

Mas a maioria delas eu conheço, e conheço bem,
São donas de um mesmo destino:
As miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos.
É quando a pobreza não é dor, é angústia também.

São as ladras de Victor Hugo.

Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei. Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos.

São as Quixotes de Miguel de Cervantes.

Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos.
Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. É quando o prazer humilha.

São as habitantes do inferno de Dante.

Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta dessas mulheres de panela vazia. Quanto aos reis, também são os mesmos:

Os covardes dos vinhos da ira.

Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia.
Em flores quando rastejam e espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
São domésticas, mas não aceitam serem domesticadas.

Sim, são as deusas do dia a dia.

Fonte: colecionadordepedras.blogspot.com

TRIBUTO AO SABOTAGE

06 anos sem o Maestro do Canão

O cartel do Rap está organizando um tributo ao imortal rapper Sabotage. Ele foi assassinado no dia 24 de janeiro de 2003, deixando muita saudade para os ouvintes de Rap. Sabotage foi um artista ímpar e deixou apenas uma obra lançada em vida, o Cd O Rap é Compromisso. Levou a favela para o cinema nacional participando de dois filmes: O Carandiru e o Invasor, no qual participou da criação da trilha sonora e foi premiado em Brasília. Sabota estava em estúdio preparando músicas para seu próximo álbum e em breve os manos e minas poderão ouvir um cd novo, com músicas que ele já tinha passado a voz guia. Na Internet tem várias músicas do Sabotage que não saiu no cd Rap é Compromisso. Entre elas participações com RZO, Charlie Brown Jr e até com o Sepultura. A galera que colar no tributo poderá ouvir essas músicas e assistir a dezenas de vídeos do nosso mano Sabotage.

21 de março / a partir das 22:00hs / R$ 5,00 / Casulo Rock Bar
(R. Belarmino de Mendonça, com Av. das Cataratas, próx. ao Muffato Boyci)

*Uma parte da bilheteria será destinada à compra de chocolate para a
páscoa de crianças carentes de Foz.

POR AQUI: 2 ANOS SEM O DJ TUNDA

Dj Tunda foi integrante do grupo Mandamentos da Rua de Foz do Iguaçu. Foi assassinado em 21 de fevereiro de 2007 em Santa Terezinha de Itaipu. O mano trabalhava na Vertical Hip-Hop. No cd do seu grupo deixou uma faixa com scratchs e colagens.

HIP-HOP PARANAENSE

O grupo de Paysandu, Pr, anuncia o fim dos dias. Pra quem já é fã das músicas do Thiagão ele acertou a fórmula novamente e lança esse álbum, um dos melhores do cenário paranaense. Algumas músicas já estavam sendo cantadas em seus shows antes do lançamento como Tático assassino parte III e Todo finado tem mãe. Esse álbum vem para emplacar o grupo no cenário do Rap Naional. Uma das faixas conta com a participação do rapper paulista Douglas do grupo Realidade Cruel. Faz seu corre e garanta o seu. Contato: (44) 9908-7689 / (43) 9974-8147.

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Luto Decretado dá o seu depoimento nesse single que vem com 5 faixas. Pra quem gosta do estilo gangsta dos mais pesados esse cd é um prato cheio. A começar pelo título das letras: Ladrão é ladrão PM é PM, A vida bandida, Registrando o pesadelo. O grupo é formado por Mano Elias, Mano Xanddy e Dj Caverinha e faz parte do Cartel do Rap de Foz do Iguaçu. O cd foi gravado em Foz do Iguaçu, mas atualmente eles estão morando em Cascavel. Eles já haviam gravado um single antes, quando outros manos faziam parte do grupo. Contato: (45) 9954-3375.

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RDR – Retrato das Ruas

Com esse álbum “Qual Lei Você Segue?” o grupo retrata o que acontece nas ruas. Os sons passeiam entre o Gangsta e o Gospel deixando mensagens positivas contra o consumismo, a criminalidade, a politicagem, a patifaria e a trairagem. O grupo que é nativo da cidade de Cambé, Pr, já está há 9 anos na correria. Mas precisamente da Zona Leste de Cambé os Manos Max, Márcio e Rick lançam esse ótimo álbum com várias participações: Pesadelo Atual, Gueto Gospel e IML.
(043) 3523-5487 / (043) 8421-8912 /

HIP-HOP PARANAENSE

O DVD contém 10 Vídeos Clipes, todos produzidos em PG. Os vídeos são dos grupos: Esquadrão de Elite, Raciocínio Engatilhado, Dprimus, MC'A', DDR, Federação Repúbli-k, Vigília Negra e Ponta Rap. Conta ainda com vídeos do elemento Break e Grafite.
Para adquirir o DVD acesse o site:www.hiphoppg.com.br
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MANOS XAPIROS RAP’S

O grupo formado por Mc Carlão e Jhon é da cidade de Sarandi, Pr. O CD traz dez faixas com destaque para os raps românticos (a lá Sampa Crew): Admirador secreto, Medo de te amar loucamente e Me perdoe pela falha.
O cd ainda narra o cotidiano do gueto, as drogas e a criminalidade.
Contato: (44) 9959-8357xapiros@hotmail.com


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VERSO AGRESSIVO

TENDÊNCIA SUICIDA
Direto de Cianorte, um dos expoentes do Rap do interior paranaense. No melhor estilo gangsta o grupo vem abrindo caminho e se apresentando em diversas cidades do Paraná. Destaque para a faixa título do CD (Tendência Suicida). Outras boas canções são: Assassino ou Vítima, Persistir pra Conquistar e Eu to Errado. O trampo Tendência Suicida é do ano de 2005 e o grupo está finalizando o novo álbum intitulado: O Religioso Profano.
O CD Tend~encia Suicida está disponível na Internet para download.

5° NAIPE FAZ SHOW NO CIDADE NOVA

O show aconteceu na noite de 24 de janeiro e foi organizado pelos irmãos de uma igreja evangélica localizada na Av. Garibaldi, no Cidade Nova. O palco foi montado na rua e uma galera colou pra prestigiar. A igreja não tem nome e na maioria das vezes quem dava a palavra no microfone era a juventude. É o diferencial dessa igreja para atrair os jovens. E foi com esse intuito que convidaram o grupo de Rap Gospel de Foz do Iguaçu 5° Naipe para realizar um show. O grupo já é sucesso na cidade com seu primeiro trabalho Entre Cédulas e Pétalas, gravado em 2007 e relançado em 2008 com 02 faixas bônus. O show rolou na Santa Paz e o Mc Rivaci aproveitou que tinha bastante evangélicos presente para falar do preconceito que o Rap sofre até por parte dos cristãos. Disse que o Rap pode ser usado de várias formas, até para transmitir a palavra do Senhor. O grupo cantou todas as suas canções fechando com a música Algo Especial. Mesmo sem o Thiago Mattos estar presente improvisaram chamando o público pra cantar junto. Para finalizar o pastor pegou o microfone e fez uma oração. Naquela noite a Cidade Nova dormiu tranqüila.

Contato 5° Naipe: 3524-8148

CASULO ROCK BAR REALIZARÁ FESTIVAL SOLIDÁRIO DA PÁSCOA

No final do ano o Casulo Rock Bar realizou o Festival Solidário de Natal onde arrecadou brinquedos que alegraram o Natal de crianças carentes da nossa cidade. Um Papai Noel muito loco com camisa de banda de Rock distribuiu os brinquedos pras crianças do bairro Aparecidinha, localizado na área rural de Foz do Iguaçu. Dessa vez a idéia é distribuir ovos de páscoa para a criançada. O Festival Solidário de Páscoa acontecerá nos dias 03, 04 e 05 de abril. O ingresso custará R$ 5,00 e uma barra de chocolate para ovo de páscoa. Quem quiser saber quais as bandas que tocarão no evento podem acessar a Comunidade do Casulo Rock Bar, no Orkut. O Casulo (Bar da Cris) fica localizado na R. Belarmino de Mendonça, com Av. das Cataratas, próximo ao Muffato Boyci.

DVD Espaço do Rap Paraná Vol. II

Os manos e minas pegarão a estrada em destino a Toledo onde acontecerá o show para gravação do segundo DVD Espaço do Rap Paraná. Nessa edição os grupos convidados foram: Atitude Consciente, MPC 288 e Pensamento Racional (Campo Mourão); Alvos do Sistema e G Force (Toledo); Mandamentos da Rua, DNA do Rap, Gangsta Crime e ADP (Foz do Iguaçu); Resistência (Rolândia); Versão Criminal e Visão Periférica (Cascavel). O show contará ainda com uma balada comandada por Djs da região. O show que vai acontecer dia 14 de março a partir das 21:00 hs tem a organização dos manos do Grupo Alvos do Sistema e será apresentado pelo Mestre de Cerimônias Mano Zeu de Foz do Iguaçu.

PIÃO DE VIDA LOKA


O Cartel do Rap organiza o primeiro Pião de Vida Loka. A intenção é reunir a galera na praça para dançar Break e fazer Freestyle, usando o espaço da praça, que é um espaço do povo. Essa primeira edição acontece na sexta do dia 06 de março a partir das 20:00hs na Praça do Mitre, Centro. O Pião será fora do padrão, quem chegar e quiser dançar pode dançar, quem quiser rimar e mandar sua idéia também. Vamos sair das nossas quebradas onde não tem praça e nem espaço de lazer e vamos invadir o centro para praticar nossa arte e tirar um barato com os irmãos. O Movimento Hip-Hop em São Paulo começou assim na Praça Roosevelt e Estação de Metrô São Bento.

Confusão histórica marca dia 8 de março

Segundo a pesquisadora Eva Blay, do Nemge - USP - o Dia Internacional da Mulher, que passou a ser comemorado mais intensamente na década de 60, é marcado por controvérsias históricas. Para ela, algumas citações sobre a data são feitas sem uma consulta adequada.

Dia Internacional da Mulher: fatos e mitos

O dia 8 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é constantemente associado a uma proposta da líder comunista alemã Clara Zetkin, feita em 1910, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, ocorrido em Copenhague, para lembrar operárias mortas num incêndio que teria ocorrido em Nova York, em 1857. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e coordenadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações de Gênero (Nemge), "o acidente de 1857 não aconteceu" e, durante o Congresso, a líder comu-nista propôs um Dia Internacional da Mulher, porém, sem definir uma data precisa para as comemorações.

"O dia 8 de março baseia-se em fatos históricos diferentes daqueles que são freqüentemente repetidos sem uma consulta adequada", afirma. De acordo com Eva Blay, o incêndio relacionado ao Dia Internacional da Mulher é o que ocorreu no dia 25 de março de 1911, nos EUA, na Triangle Shirtwaist Company (Companhia de Blusas Triângulo), uma fábrica têxtil que ocupava o oitavo, o nono e o décimo andar de um prédio. A Triangle empregava 600 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos. Fugindo do fogo, parte dos trabalhadores conseguiu alcançar as escadas descendo para a rua ou subindo no telhado. Outros desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram, e muitos trabalhadores pularam das janelas para a morte. Algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Houve 146 vítimas fatais, sendo 125 mulheres e 21 homens. No funeral coletivo ocorrido dia 05 de abril compareceram cerca de 100 mil pessoas. No local do incêndio está construída uma parte da Universidade de Nova York, onde consta a inscrição: "Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Companhia de Blusas Triangle. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar as condições de trabalho as melhores do mundo."

Segundo Eva Blay, é muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher pela luta por elas travada. Mas o processo de instituição de uma data comemorativa já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há alguns tempo, e foi confirmado com a proposta de Clara Zetkin em 1910. "O dia 08 de março passou a ser comemorado mais intensamente na década de 60, após o fortalecimento do movimento feminista, quando também passaram a ser discutidos problemas da sexualidade, da liberdade ao corpo, do casamento e dos jovens", relata. Embora não se conheça com precisão por que o dia 8 de março foi escolhido, o fato é que ele se consagrou ao longo do século XX. A consagração do direito de manifestação pública veio com o apoio internacional, em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data como o Dia Internacional da Mulher.

Fonte: Agência USP de Notícias. Mais informações: ( (0xx11) 220-9505

COISA DE ALMA (Por: Pedro Almeida)

Na edição passada, falamos do caminho que teve a dança de rua em nosso país, que quando tudo começou ninguém sabia o que era o que e ninguém falava a mesma língua mais o loco é que no Tio Sam não foi diferente.
Logo após o grande crack onde começaram a aparecer as primeiras manifestações da arte negra na rua, como blues, jazz, tap, e algumas danças sociais como o charleston, as pessoas, espectadores e participantes, começaram a se perguntar o que era tudo aquilo, por partes dos que estavam envolvidos em todo esse movimento começaram a chamar uns aos outros de Soul Brothers, (irmãos de alma). Dessa forma todos que participavam de arte negra de rua, na música, na dança, ou até mesmo indiretamente por fazerem suas artes onde suas habilidades vinham de sua alma, aderiram ao nome Soul Brothers. Logo a mídia e o público criaram um grande movimento cultural chamado SOUL (alma). Assim os irmãos não estavam muito preocupados com nomenclatura ou plástica, o que importava era a arte que vinha da alma. Não interessava se era dança ou música, o importante era apenas o movimento Soul. A diferença é que todos os irmãos respeitavam a diferença que havia em cada manifestação artística, Já aqui a galera aprendeu primeiro a cantar ou dançar e foram aprender mais tarde que o verdadeiro significado é O FILLING e o Soul.

(Pedro Almeida é estudante de danças urbanas em Foz)
Meeting de valinhos www.meetinghiphop.com.br

IDÉIA PRA PERIFERIA

Idéia do Bairro (Por: Mano Edo).

VII - A Luta Continua

A luta continua, os meninos vão sem destino ao centro e começam a coletar recicláveis, por todas as ruas: Brasil, Jk, Jorge Schimmelpfeng, Almirante Barroso e outras ruas próximas. Então voltariam, no caso, quando o carrinho estivesse cheio. Mas antes de o carrinho estar cheio Gugu pensa maldade e executa; viu uma senhora saindo de um banco; de aparência velha (idosa), que foi buscar a sua aposentadoria no banco; Gugu fez como nas Olimpíadas, passou correndo e fez um “cavalo louco” na tiazinha de idade. Se fosse competição ninguém ganharia de tanto que correu. Quando chega perto do Boyci, em frente a Guarda Municipal, há um bar de nome Urbanus Bar. Gugu pede se pode ceder um copo com água, pois estava com muita sede; tomou e saiu novamente rápido. Chegando na curva do Boyci indo no sentido do Porto Meira Gugu é abordado por uma viatura da PM e com os policiais estava a senhora chorando querendo sua bolsa. Como é a caminho do CIAAD a viatura seguiu em frente e levou o adolescente até o Centro Integrado de Atendimento ao Infrator Adolescente para uma denúncia. Gugu ficou algumas horas preso em uma salinha e levou uns tapas pelo roubo que cometeu; logo foi liberado, porque era a primeira vez que foi preso. Em passos chega até a Avenida Safira. Hora se lamenta pela grana, hora se glorifica pela liberdade. E quando Gugu chega à esquina da Av. Safira com Chavier Koelb encontra Gustavo com o carrinho cheio e com altos cobres e latinha de alumínio.

(Mano Edo é B.Boy e estudante de letras em Foz do Iguaçu)

SONHO NÈGRE (Por: Mano Adão)

Esses últimos dias fiquei muito feliz, sabe porque?
Porque eu estava conversando com uma moça de pele branca e no meio da conversa ela falou que queria ser morena. Eu perguntei o porquê. Ela respondeu:
“A cor morena não mostra a idade e também tem vários talentos e dons naturais.
Foi a cor negra quem inventou o carnaval, o samba, futebol, capoeira, Funk, Rap etc.
Tudo que vocês inventam pega”, ela falou para mim que queria ser como nós.
Eu perguntei por que, se nós sofremos bastantes preconceitos por todos os lados.
Ela respondeu que apesar dessas dificuldades nós não desistimos nunca, estamos sempre lutando. E continuou: “apesar de eu ser branca minha descendência é negra, eu tenho sangue negro, mas fico chateada”. Eu pergunto porquê. Ela responde:
“Eu queria ser negra por dentro e por fora”.
Chego a uma conclusão. A cor negra tem muito valor, nós somos pedra nos calçados de muita gente, só queremos conquistar nosso espaço da maneira certa sem prejudicar ninguém e nós não tapamos o sol com a peneira, nós somos espinhos na roseira, com a gente se quiser comer mel vai morder bunda de abelha.
Porque nós somos Negros. Isso que é um sonho Nègre.

(Mano Adão é B.Boy e arte-educador em Foz do Iguaçu).

LUA DESUMANIZADA (Por: Carol).

Na foto, o bebê nascido na África mama no peito seco e murcho de sua mãe. Sua mãe não sabe o que é comida desde que seu filho nasceu. Ela, com seu corpo magro, sofre com a desigualdade social. Sem sapatos, os pés voltam do canavial cansados como os braços, calejados como as mãos e pesados como os olhos. Depois de um dia exaustivo de trabalho chega em casa e prepara um prato de calango para dividir com seus filhos. Esses pés e essas mãos brasileiras também sofrem com as diferenças sociais.

O homem do campo de punhos fechados e peito aberto encara o homem fardado que empunha um rifle. O homem do campo sujo e faminto luta por seus direitos enquanto o homem de farda luta em defesa do homem de terno e dinheiro no banco. O homem do campo sofre com as diferenças sociais.

O mendigo abaixou suas calças e ficou de cócoras. Há horas ele está ali perto do meio-fio, mas ninguém se importa. A sensibilidade perdeu seu lugar para o dinheiro.

O cadeirante sofre com a falta de acessibilidade. Além de sua limitação física sofre a limitação imposta pela sociedade excludente. Eles também sentem dolorosamente as diferenças e desigualdades sociais.

O homem inventa e reinventa seu mundo. Cansado deste, passa para um planeta casto, onde inventa e reinventa e desumaniza ainda mais.

(Carol é estudante de letras em Foz do Iguaçu).

óIA sÓ (Por: Lizal)

NAS ANTIGAS:

17 de abril de 2002 / protesto do MST na Ponte da Amizade.
Em memória aos 19 militantes mortos no dia 17 de abril de 1996 em Eldorado dos Carajás (PA). A ponte ficou fechada por 40 minutos e umas 1000 pessoas aproximadamente participaram do protesto.
Protesto organizado pela Comunidade Árabe de Foz do Iguaçu em abril de 2002 contra a ofensiva de Israel em terras palestinas.


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Do Livro Falcão, Mulheres e o Tráfico:

Mv Bill e sua equipe está em uma comunidade na véspera de Natal. Está rolando uma festa com distribuição de brinquedos para as crianças. Ele está conversando com a “Dona” da favela. Ela inovou o trabalho dos falcões. Ao invés de soltar rojões, foi instalado nos postes uma campanhinha controlada por controle remoto, se os policiais subissem o morro era só acionar o alarme e dar um toque pelo rádio amador. Quando estão ali conversando sobre a comunidade o alarme soa e a rapa se prepara pra dar no pé, quando ela avisa:

- Muita calma, eles só estão subindo pra pegar o danoninho deles.


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Orçamento Mundial (Gastos em dólar):

Armamentos: 80 bilhões / Fumo: 40 bilhões
Publicidade: 25 bilhões / Cerveja: 16 bilhões
Vinho: 8,6 bilhões / Golfe: 4 bilhões
Total do necessário para satisfazer as necessidades elementares de saúde, educação e alimentação de todas as crianças do mundo: 3,4 bilhões.

(Mylton Severiano pergunta: Mundo muito doido não? Ou será que doido é você achar que podiam raspar 4 bilhõezinhos das armas para dar às crianças?).


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A obra A Sangue Frio de Truman Capone foi um marco na literatura de não ficção. Os romances de não ficção são narrados com fatos reais e seu livro conta a história de um assassinato ocorrido nos EUA. Um jornalista brasileiro – após ler a obra – escreveu: “Nem tudo no livro é verdade, mas tudo é verdadeiro”.

(Entendeu).


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Li o livro “Vermes, uma comédia política” de José Roberto Torero e Marcus Aurélius Pimenta. O livro – como sugere o título – fala de vermes e políticos. Fiquei impressionado como os vermes são sangue bom, divertidos e inteligentes. Já os políticos...

(Esse livro vai pra minha lista de vale a pena ler de novo).

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É BOM SABER!!!

* Nos Estados Unidos, a indústria da carne causa mais poluição da água do que todas as outras indústrias juntas.
* Do total do solo cultivável nos Estados Unidos, 87% são utilizados para criação de animais de corte.
* A criação de animais de corte consome mais da metade de toda a água usada nos Estados Unidos.
* São destruídos 200 km² de florestas tropicais por ano, para criar espaço destinado à criação de animais.
* A criação de animais para servirem de alimento utiliza mais de um terço de toda a matéria-prima e combustível fóssil consumidos nos Estados Unidos.
* Por ano, mais de 25 bilhões de animais são criados e mortos pela indústria da carne.

(Essas e outras informações podem ser lidas em: www.goveg.com).


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O Canibal Vegetariano:

Só come a batata da perna.

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Música do grupo TSG:

Mulher é pra Malandro
Não pra loke de Internet.

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CARNAVAL:

Uma perfeita forma de dominação autoritária: a “felicidade”. Mas é interessante como ainda se insiste em criticar a Bahia. É claro que é só inveja da genialidade do projeto baiano. Enquanto o resto do mundo se esforça para dominar as massas seja pelo capitalismo, socialismo, a guerra, a evolução, até o consumo, eles não... eles só fazem o suficiente para gerar felicidade. Mantém todo mundo pobre, coloca um som pra tocar e pronto. Tudo bem que eles sejam gênios; mas porque os que não querem ser felizes são obrigados a participar? Se todo mundo prefere ficar feliz, porque a gente não desiste de vez da bandeira da ordem e progresso e assume definitivamente essa ficção barata da felicidade moribunda, podre, mijada; essa imagem aprimorada da brasilidade enlatada que é boa pra todo mundo. (...) A que serve se fantasiar de ouro e prata e desfilar em uma rua fechada. Quase como um curral. Ladeada por camarotes onde continuam a estar seus senhores. O que resta são alguns segundos de glória, o suficiente para sentir e se convencer de que a dominação é importante. Não que goste de ser dominada, mas por uma cumplicidade diante do prazer de dominar. A esperança de um dia poder ser de alguma forma senhor, faz com que seja suportável a dominação.

(Do filme Cronicamente Inviável de Sérgio Bianchi).

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A Panasonic, empresa japonesa, anunciou a demissão de 15 mil trabalhadores e fechará 27 das suas unidades no mundo todo. A Pioneer, também do Japão, irá fechar fábricas na Europa e EUA e demitir 10 mil funcionários.

(É o capitalismo na UTI).

ABALANDO AS ESTRUTURAS DA ARTE DE RUA








Entrevista com os mentores dos ataques à Bienal e a Invasão da Faculdade de Belas Artes. (Por: Alexandre de Maio).

Eles abalaram as estruturas das artes plásticas e do Street Art, logo eles, que sempre foram considerados vândalos, sem valor artístico, discriminados por muitos críticos. Só que em 2008 as ações dos pixadores se revelaram uma das coisas mais interessantes no universo das artes. Eles atacaram a Faculdade de Belas Artes, a Bienal de São Paulo, a Galeria Choque Cultural e ainda acirraram as disputas com os grafiteiros pelos espaços da cidade. Buscando respeito e atenção eles mantém vivo o protesto dentro da cultura da pixação. Eles têm história, têm propósito, e vão muito além de tinta na parede. Numa troca de idéias no Vale do Anhagabaú, Centro de São Paulo, entrevistamos um dos mentores desse movimento, conhecemos as motivações, a história e a verdade por trás dos ataques.

Tudo começou com o ingresso de um dos pixadores na Faculdade de Belas Artes. “O primeiro ataque foi o TCC do Rafael, que é um cara que é pixador e da periferia. Ele conseguiu uma bolsa de estudos na Belas Artes através de um trabalho que fez lá. Quebrou o braço, ficou desempregado e a faculdade foi obrigada a dar a bolsa integral para ele. Nesses quatro anos de faculdade, ele defendeu como tese artística a Pixação, e tinha, no final do curso, de apresentar um trabalho prático, e o que ele achou de mais verdadeiro foi levar a galera pra pixar a faculdade, dentro do contexto da pixação. Ele não avisou ninguém. Foi o trabalho dele de conclusão dentro do contexto do movimento. Sem perder a essência, ele foi e chamou a maior galera. Chegamos lá, invadimos e pixamos tudo, e o moleque foi reprovado e expulso. Foi aí que começamos a tirar as mascaras, mostramos que uma instituição de arte não agüentou com a tinta”, revela Cripta.

Depois dessa reação da faculdade, a história tomou forma e conteúdo, e os novos ataques foram à Galeria Choque Cultural, famosa por exposições de grafiteiros, e a Bienal Internacional de São Paulo. “O motivo do ataque à Bienal e à Choque Cultural foi defender a pixação como manifestação artística, mas sem perder a essência dela. O que aconteceu na galeria e na Bienal foi um deslocamento de contexto. A gente levou a pixação, que é uma arte da rua, uma arte da ilegalidade, para dentro da galeria e da Bienal, mas sem perder o contexto dela, que é a ilegalidade. Se a gente fosse convidado a pixar lá dentro, perderia todo o contexto”, explica. Travando uma luta de conceito com a arte de galeria, a pixação segue o caminho oposto ao do Graffiti. “A pixação não vai ser domesticada, como o que aconteceu com o Graffiti. O objetivo desses ataques também é mostrar isso, que eles podem até levar a estética da pixação para dentro da galeria, escolher meia dúzia de pixadores que não entendem nada e achar que é legal. Mas é só a estética mesmo, porque a essência do movimento só tem como se manter dentro da ilegalidade”, revela, com ar de desafio.

A Galeria Choque Cultural, que contribui para o sucesso de grafiteiros na cena mundial das Artes Plasticas, também não foi perdoada. “O dono da Choque Cultural, o Baixo Ribeiro, andava declarando que a galeria era underground, que representava a arte das ruas, que não tinha nenhum problema, então, a gente promoveu uma exposição da ilegalidade, e aí caiu a mascara da Choque Cultural, porque eles não entenderam e levaram para o outro lado, prestaram queixa crime. Como é que uma galeria que se diz underground e ganhou de presente uma exposição da ilegalidade, recusa dessa forma? Então, foi mais uma máscara que a gente tirou também”, afirma. Enquanto as galerias eram atacadas, o apoio era total, mas o aumento da cultura e as brigas por espaço na cidade também ficaram mais duras, e uma das ações dos pixadores foi atacar alguns pontos de Graffiti, como o Beco da Vila Madalena e a Avenida Paulista. Será que existe uma guerra entre grafiteiros e pixadores,irmãos na arte de rua? “O graffiti e a pixação sempre tiveram uma relação muito delicada. Alguns grafiteiros não respeitam a pixação, e vários pixadores não respeitam o Graffiti. No caso desses ataques, foi uma coisa pensada, para atingir o movimento de uma forma geral, uma espécie de alerta para os grafiteiros se ligarem que eles se renderam ao sistema. O Graffiti quando nasceu era ilegal, foi como a pixação, cada um buscava seu espaço dentro da ilegalidade. Aí, o Grafitti começou a ser usado como ferramenta para combater a pixação. As autoridades e a sociedade começaram a ver que os grafiteiros tinham o respeito dos pixadores, e começaram a usar isso para combater a pixação. Muitos grafiteiros se omitiram, se deixaram levar pelo dinheiro e acabaram se vendendo. Eles estão perdendo totalmente o respeito da galera, e esse ataque aos graffitis foi uma espécie de alerta, para os caras se ligarem em tudo, não entrar em qualquer fria, não ir para qualquer coisa que forem chamados. E também para buscar o espaço deles na ilegalidade, como o pixador busca. Não existe uma guerra, mas existe uma disputa de espaço. Mas essa disputa está sendo covarde por parte dos grafiteiros, que se aliaram ao sistema, à sociedade, eles se renderam ao sistema. Eu não posso ser específico, pode ser que aconteça uma guerra e a gente não sabe. O que rolou agora foi um alerta, tem muito pixador que não gosta de Graffiti porque os caras apagam os trampos”.

A discussão nas ruas continua, e na internet o seguinte texto foi divulgado pelos grafiteiros: “Ninguém deve atropelar o trabalho do outro, seja Graffiti ou pixação. Também é preciso lembrar que muitos grafiteiros que deveriam respeitar agendas e diversos rolês, não fazem isso, e talvez este momento seja oportuno para reclamar sobre esses atos com quem os pratica”, Diz o texto sem identificação, que acaba dando razão, em parte, aos pixadores. O Graffiti ganhou espaço, deixou um pouco a ilegalidade de lado e ganhou o respeito da sociedade, mas em termos artísticos, a pixação segue outros caminhos. “O caminho da pixação é se manter dentro da ilegalidade, porque vem da época da ditadura militar, e veio tomando outras formas. Essa pixação que a gente faz hoje em dia começou com a galera que ouvia Punk Rock, Hardcore, que tinha muita coisa de protesto nas músicas, e o pessoal saia pra pixar também pra protestar. Só que começou a virar uma parada de gangues, de disputa de espaços. O que aconteceu é que no decorrer desses vinte anos de movimento, a pixação ficou focada mais na vaidade do pixador, no seu ego, e foi perdendo aquele cunho político de protestar. A intenção dos ataques foi resgatar esse lado que estava esquecido, esse lado do protesto”.

Mas os ataques não são unanimidades entre os pixadores. Grandes nomes das antiga se pronunciaram contra, dizendo que tudo isso só serviu para atrair a atenção da polícia. “Tem muito pixador que não enxerga um palmo à frente do nariz, só pensa em si mesmo. Tem cara que acha que essas paradas vão arrastar a pixação, porque, de repente, tem o pensamento de que a pixação vai ser aceita, como o Graffiti foi. Isso tudo acontece para mostrar o que? Pra ficar na rua só quem é, porque o cara que tem medo da repercussão que os ataques estão tendo, vão deixar de pixar, e isso é bom também, porque aí vão ficar só os verdadeiros, só o pessoal para bater de frente mesmo, porque pixação é resistência, não tem hierarquia, não impede nada”, rebate o ativista.

Nos ataques à Bienal estava escrito “Abaixo a Ditadura”. “Ditadura não se enquadra só em ditadura militar, ela se enquadra em tudo que é ditado, porque a burguesia está acostumada a ditar o que é arte. Quem organiza a Bienal? É a burguesia, são os burgueses. Então, eles estão acostumados a ditar o que é arte e a reduzir a pixação ao vandalismo. Abaixo a Ditadura foi contra a ditadura da arte, e existem várias formas de ditadura dentro da arte. Nosso abaixo a ditadura na Bienal foi contra tudo isso aí, ditadura da arte e a ditadura camuflada em que a gente vive”.

(Fonte: Revista Cultura Hip-Hop n° 04. Adquira a revista e leia a matéria completa).